AVALIAÇÃO EXTERNA DOS PROJECTOS DA CEJP FINANCIADOS PELA MISEREOR ANALISA IMPACTO NAS COMUNIDADES

Decorreu de 13 a 27 de Fevereiro a Avaliação Externa dos projectos implementados pela Comissão Episcopal de Justiça e Paz, financiados pela Misereor, com enfoque particular no projecto “Apoio ao Grupo de Reflexão Interdiocesana ao serviço duma Igreja presente e activa na sociedade moçambicana” (146-900-1061ZG) e no projecto complementar “Apoio à Comissão Nacional de Justiça e Paz para o fortalecimento do trabalho da Igreja Católica em Moçambique” (146-900-1067ZG).
A avaliação foi conduzida pelos consultores Hemma Tengler e Alexandre Malunga, numa modalidade mista que combinou sessões presenciais e virtuais, conforme previsto nos Termos de Referência (TdR). O processo envolveu 72 participantes, entre colaboradores dos projectos, membros das estruturas eclesiais, parceiros da sociedade civil e beneficiários directos e indirectos.
Entre os participantes estiveram Bispos da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), membros da Comissão Episcopal de Justiça e Paz (CEJP), membros do GRI, coordenadores diocesanos, secretários das comissões sociais, representantes de paróquias, intelectuais católicos integrados na nova plataforma de reflexão, deputados, bem como parceiros estratégicos — com destaque para a Mais Integridade.
De acordo com os TdR, o objectivo central da avaliação foi analisar a implementação dos projectos à luz dos critérios do CAD (Comité de Ajuda ao Desenvolvimento da OCDE): relevância, coerência, eficácia, eficiência, efeitos e sustentabilidade.
No domínio da relevância, procurou-se aferir em que medida os objectivos e a abordagem dos projectos respondem às prioridades da Igreja Católica em Moçambique e às necessidades das populações, sobretudo dos grupos mais vulneráveis. Foi igualmente analisada a pertinência da intervenção do Grupo de Reflexão Interdiocesana (GRI) enquanto instrumento de apoio técnico e estratégico à CEJP.
Quanto à coerência, a avaliação examinou as sinergias entre os dois projectos financiados pela Misereor, bem como os mecanismos de articulação entre o GRI, a CEJP, as Comissões Diocesanas de Justiça e Paz (CDJP) e o Departamento Social da CEM, identificando oportunidades de maior integração de recursos e eventual fusão de actividades.
No que se refere aos efeitos, os avaliadores recolheram percepções sobre as mudanças geradas pelo trabalho da CEJP e do GRI, tanto ao nível institucional como comunitário. Foram analisadas as contribuições para o fortalecimento da cidadania, promoção da justiça social, cultura de paz, boa governação e participação cívica, incluindo a integração das reflexões produzidas nos planos de trabalho diocesanos e nacionais.
A dimensão de género, os impactos não intencionados e o alcance indirecto — estimado em centenas de paróquias e diversos actores da sociedade civil — também fizeram parte da análise.
No plano da eficiência, foram avaliados os sistemas de gestão, comunicação e monitoria, a partilha de recursos humanos e financeiros entre os dois projectos, bem como a relação entre os resultados alcançados e os meios investidos.
Já no critério de sustentabilidade, a reflexão centrou-se na continuidade dos benefícios após o término do financiamento, com particular atenção à consolidação da plataforma de intelectuais católicos e à capacidade institucional da CEJP e das CDJP em manter e ampliar o trabalho iniciado.
A metodologia incluiu estudo documental, entrevistas individuais, grupos focais, visitas de campo e oficinas de reflexão uma inicial e outra de apresentação preliminar dos resultados assegurando um processo participativo e inclusivo.
Os consultores sublinharam a importância da escuta de diferentes níveis de intervenção, desde a liderança eclesial até aos beneficiários nas comunidades, reforçando a legitimidade e profundidade da análise.
A avaliação externa constitui, assim, um exercício de transparência, prestação de contas e aprendizagem institucional. As conclusões e recomendações, a serem apresentadas em relatório final no prazo de 15 dias úteis após a fase de campo, deverão orientar o aperfeiçoamento estratégico das próximas fases dos projectos, contribuindo para consolidar a missão profética da Igreja na promoção da justiça, da paz e do bem comum em Moçambique.

