Arcebispo de Maputo apela à solidariedade e à esperança face às cheias que afectam Moçambique

O Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos Hatoa Nunes, dirigiu uma mensagem pastoral aos fiéis da Arquidiocese de Maputo e a todo o povo moçambicano, apelando à solidariedade, à proximidade e à esperança perante as cheias que têm assolado várias regiões do país, sobretudo a região Sul.
Na sua mensagem, datada de 19 de janeiro de 2026, Dom João Carlos manifesta profunda preocupação com o sofrimento causado pelas fortes chuvas, cheias e tempestades, que resultaram na destruição de habitações, no desalojamento de inúmeras famílias e na perda de bens, meios de subsistência e, em alguns casos, de vidas humanas. Segundo o Arcebispo, a dor do povo é real e clama por compaixão e respostas concretas.
O Prelado recorda que, em meio ao sofrimento coletivo, a Igreja invoca a proteção de Deus e confia os atingidos à intercessão maternal de Nossa Senhora, Mãe de esperança e consolação, pedindo força para os que perderam tudo e coragem para aqueles que se dedicam ao socorro das vítimas.
Inspirando-se na Palavra de Deus, Dom João Carlos sublinha que “a obediência vale mais do que os sacrifícios” (1 Sam 15, 22), destacando que as cheias não devem ser vistas apenas como um fenómeno natural, mas também como um apelo à responsabilidade, ao cuidado com a casa comum e à atenção aos mais vulneráveis. Ignorar o clamor dos pobres e dos que sofrem, alerta, tem consequências.
O Arcebispo apela ainda à rejeição de discursos que dividem e acusações estéreis, defendendo antes um tempo de consciência, conversão e compromisso, no qual a fé se traduza em gestos concretos de amor e solidariedade. “Como Igreja, somos chamados a ser ‘odres novos’, com corações disponíveis e estruturas capazes de responder às urgências da vida do nosso povo”, afirma.
No mesmo espírito, Dom João Carlos informou que a Cáritas Arquidiocesana de Maputo está a levar a cabo uma campanha de recolha de apoios, contando com a generosidade de cristãos e de pessoas de boa vontade, com o objetivo de mitigar o sofrimento das famílias afetadas. O Arcebispo encoraja paróquias, comunidades, grupos e fiéis a continuarem mobilizados, lembrando que cada gesto, por menor que seja, conta e representa um sinal de esperança.
Olhando para o período pós-cheias, o Arcebispo de Maputo defende que o desafio não se limita à reconstrução de casas, mas inclui também a reconstrução de relações, atitudes e responsabilidades, para que Moçambique se torne um país mais preparado, mais solidário e mais cuidadoso com a vida humana e com a criação.
Dom João Carlos conclui a mensagem confiando este caminho ao Senhor e à proteção de Maria Santíssima, desejando que a esperança contagie os corações e que a solidariedade se torne a linguagem comum deste tempo de provação.

